Deputado diz que PM que matou três devia pedir música no ‘Fantástico’

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O deputado federal Major Olímpio (SD-SP), candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, comemorou nesta terça-feira (8) na tribuna do plenário da Câmara a morte de dois homens e um adolescente que tentaram roubar o carro de um policial militar de folga na tarde de sábado (5), na zona leste da capital paulista.

Em uma fala em tom exaltado, Olímpio chamou de “lazarento” (leproso) o ouvidor da PM de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves, que pretende investigar a conduta do policial. Em imagens de câmara de segurança o PM aparece chutando a cabeça de um dos homens, que estava no chão e aparentava estar ferido e rendido.

“Que o Diabo os carreguem mesmo, tinha que ter gol no ‘Fantástico’, três vagabundos a menos”, discursou Olímpio, com voz bastante elevada.

A ironia do deputado diz respeito ao quadro do programa da TV Globo em que o jogador que faz três gols em uma partida pede uma música para ser tocada durante a reprodução dos lances.

Segundo sua biografia oficial, Major Olímpio se formou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1982 e serviu como oficial por 29 anos em várias unidades da PM paulista.

Não houve reação à sua fala durante a sessão da Câmara, que estava sendo presidida pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

INVESTIGAÇÃO

Segundo a polícia, o PM estava trabalhando como motorista do Uber na ocasião em que sofreu o assalto, na Cidade Líder, durante uma corrida. Os dois homens e o adolescente, de 15 anos de idade, estariam portando duas armas.

O PM reagiu ao assalto e baleou os três, que acabaram morrendo. O ouvidor da Polícia disse que pediria investigação do caso pela Corregedoria da PM para esclarecer as circunstâncias da morte e se o policial se excedeu.

No momento, há uma apuração interna sobre a conduta do agente. Isso inclui verificar se o policial poderia estar atuando como motorista do Uber como complemento de renda.

O porte de armas em viagens do aplicativo é proibido pela empresa, segundo informou a administração da plataforma um dia após a morte dos três rapazes.

De acordo com o Uber, a proibição de porte de armas serve tanto para motoristas quanto para passageiros, que também podem ter sua conta cancelada caso descumpram a regra.

A determinação segue a diretriz da matriz norte-americana da empresa, que também proíbe o porte de armas em viagens do aplicativo. Nos Estados Unidos, há pelo menos cinco casos de motoristas que estavam armados e que foram suspensos do aplicativo, desde 2015.

Fonte: Folha de S. Paulo

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